Convenções
Hoje ao dia 27 de Maio de 2012, às 18:00 em reunião em conjunto aos militantes do PSOL, foi decidido que sua convenção será no dia 17 de Junho de 2012, Domingo, em local a ser decidido. Teremos a presença dos militantes e de membros da Executiva Estadual.
Militância psolista montes-clarense decide que terá candidatura própria
Na tarde desse Domingo 26, a militância do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) se reuniu na Câmara de Montes Claros para decidir os rumos que serão tomados nas eleições 2012.
Em pauta esteve:
_ A apresentação dos nossos candidatos a vereadores.
_ A decisão do pré-candidato a prefeito.
_ A nova comissão provisória.
O Psol de Montes Claros declara que terá candidato próprio,e esse atende por nome Valdeir Fernandes,o Mineirinho,que foi candidato a senador nas últimas eleições,com quase 17 mil votos.
O Psol se posicionou contra a atual administração,continuaremos a lutar contra os desmandos e a má administração de Luíz Tadeu Leite,do jeito que Montes Claros está abandonada não da pra ficar.
Seremos o novo,seremos a solução que o povo de Montes Claros precisa,trabalharemos em prol de chegarmos a prefeitura para mudar os rumos de Montes Claros,com um trabalho moral,transparente e honesto.
O Psol Montes Claros estará trabalhando em prol de sua solidificação e fortalecimento na cidade,unindo sua militância para eleger parlamentares,que atuarão no ano que virá com competência,responsabilidade,honestidade e o mais importante representando o povo montes-clarense.
Psol Montes Claros trabalhando para transformar a história de Montes Claros.
Em pauta esteve:
_ A apresentação dos nossos candidatos a vereadores.
_ A decisão do pré-candidato a prefeito.
_ A nova comissão provisória.
O Psol de Montes Claros declara que terá candidato próprio,e esse atende por nome Valdeir Fernandes,o Mineirinho,que foi candidato a senador nas últimas eleições,com quase 17 mil votos.
O Psol se posicionou contra a atual administração,continuaremos a lutar contra os desmandos e a má administração de Luíz Tadeu Leite,do jeito que Montes Claros está abandonada não da pra ficar.
Seremos o novo,seremos a solução que o povo de Montes Claros precisa,trabalharemos em prol de chegarmos a prefeitura para mudar os rumos de Montes Claros,com um trabalho moral,transparente e honesto.
O Psol Montes Claros estará trabalhando em prol de sua solidificação e fortalecimento na cidade,unindo sua militância para eleger parlamentares,que atuarão no ano que virá com competência,responsabilidade,honestidade e o mais importante representando o povo montes-clarense.
Psol Montes Claros trabalhando para transformar a história de Montes Claros.
Pinheirinho e o Brasil real
| A desocupação de Pinheirinho, bairro popular de São José dos Campos (SP), revela a face cruel do Brasil Real. É tragédia de erros:
- de uma Justiça parcial, que só tem olhos para o poder da especulação imobiliária e financeira;
- dos governos estadual de São Paulo e municipal de São José dos Campos, ambos controlados pelo PSDB, insensíveis aos direitos dos mais pobres e cujo braço armado funciona para oprimir covardemente;
- do governo federal omisso e lento, que não usou sua enorme capacidade de mediação de conflitos, nem implementa uma política habitacional que atenda à população mais necessitada;
- da estrutura jurídico-política que considera sagrado o direito de propriedade, esquecendo convenientemente a função social da propriedade prevista na Constituição;
- da omissão de parte da mídia grande, que não cumpre seu papel de investigar e informar a população – o que provocou até mesmo a greve de fome de um indignado ativista, Pedro Rios, em frente à sede da Rede Globo no Rio de Janeiro.
Muitas coisas ainda estão por serem explicadas:
- Por que os policiais que participaram da desocupação não usavam identificação?
- Por que a mídia não pôde acompanhar a ação de “reintegração”?
- Por que o Judiciário autorizou uma desapropriação na madrugada de um domingo?
- Por que os moradores não puderam sequer acondicionar seus pertences antes da derrubada das casas?
- Houve abusos sexuais, feridos e até mortos, como os moradores denunciam – sem qualquer resposta suficiente dos governos?
- Como as famílias poderão conseguir uma moradia com um aluguel social de R$ 500 disponibilizados pela prefeitura de São José dos Campos? Como viabilizarão fiadores para firmar estes contratos de locação?
- Como poderão as famílias matricular suas crianças nas escolas públicas, agora que não têm endereço fixo?
- Ao invés de mobilizar tamanho aparato para a desapropriação, os governos locais não poderiam ter providenciado uma moradia digna para aqueles moradores?
- Em que situação estão os alojamentos da prefeitura? As famílias têm estrutura de higiene, alimentação e descanso?
Para que essas questões sejam respondidas apresentarei na Comissão de Direitos Humanos da Casa, junto com os deputados Ivan Valente e Jean Wyllys, requerimento de audiência pública para que os atores envolvidos se pronunciem e a sociedade brasileira tome conhecimento do que realmente aconteceu em São José dos Campos.
Sr. Presidente, registro nos anais da Câmara dos Deputados trechos de um poema cordel do professor paulista Silvio Prado sobre essa barbárie que não pode ser esquecida:
“Terror em Pinheirinho
Como se fosse uma luta
Contra um povo invasor
Ou tropas do estrangeiro
Portadoras de terror
A polícia bateu pesado
E agrediu sem ter pudor
Machucando até criança
E também trabalhador.
Foi assim o dia todo
Num domingo de janeiro
O povo sendo expulso
Como povo desordeiro
Arrancado de suas casas
Humilhado por inteiro
Jogado pra viver na rua
Como se fosse cordeiro.
Foi um festival de bombas
Numa brutal repressão
Botando por cima de tudo
Um rolo de compressão,
Mesmo assim aquele povo
Com muita resolução
Armado de pau e pedra
Respondeu à agressão.
Sob ordens tão injustas
Agredindo o oprimido
A polícia de São Paulo
Parece ter desistido
De produzir segurança
Que proteja o desvalido
Pois agora se incumbe
De substituir o bandido.
Por isso vemos nas ruas
Do Pinheirinho aguerrido
Casas que viraram pedras
Templo cristão demolido
Animais soltos no tempo
Quanto metal retorcido
Panelas, restos de móveis
Muito sonho destruído.
Onde até recentemente
Alguém ganhava seu pão
Num comércio necessário
Anônimo e sem distinção
Hoje não se vê mais nada
A não ser desolação
E um grito silencioso
Chorando sua maldição.
Choro de quanta criança
E muita mãe desesperada
Lágrima dura pelo rosto
E na alma atravessada
Uma lâmina cortante
Feito dor descontrolada,
Vida sem nenhum sentido
Dentro dos olhos, o nada.
Perdeu juízo a Justiça
E também toda moral
Pois agora o que vemos
É um escândalo nacional
Com gente de fina toga
Como se fosse normal
Ficando sempre de quarto
Diante do capital.
Mas a justiça sozinha
Talvez não fizesse tanto
Se o governo de São Paulo
Demonstrasse algum espanto
Com a proposta absurda
De arrancar de seu canto
Milhares de brasileiros
Pra viver no desencanto.
E o que se deu por aqui
É um fato temerário
Um consórcio poderoso
Com gente do Judiciário
Além do governo tucano
Que controla o noticiário
Todos guardados no bolso
Do sistema imobiliário.
Pra essa gente não vale
O choro de um ancião
Ou a mãe desesperada
Vivendo vida de cão
Com o filho à sua frente
Dormindo no frio chão
A vida sem horizontes
E muita dor sem solução.
Mas a própria Bíblia diz
Que quem o pobre aflita
Não olhando sua vida
Como preciosa e bendita
Humilhando os indefesos
Na sua triste desdita
Essa gente está inclusa
No rol de gente maldita.
E que caia sobre todos
O castigo prometido
De ter os bens confiscados
E seu cargo suprimido
E de governar de novo
Seja a todos proibido
Pois uma vez no governo
São serviçais de bandido.”
|
| Pronunciamento do deputado Chico Alencar (Psol),Veja Aqui |
O Voto distrital é excludente

O voto distrital é idêntico a uma camisa de força que limita os movimentos da representação.....
*Alberto Carlos Almeida
Quem defende o voto distrital no Brasil defende a exclusão da representação de grande parcela de nosso eleitorado. O voto distrital é clamorosamente excludente. Essa exclusão é a mesma coisa que bipartidarismo. Todos os países que adotam o sistema eleitoral distrital tornam-se países governados por apenas dois partidos que se revezam no poder por meio de maiorias esmagadoras. Ninguém em sã consciência admitirá que a Grã-Bretanha, em toda sua complexidade social e demográfica, seja representada apenas por dois partidos. O mesmo vale para os Estados Unidos. Se esses dois países mudassem seu sistema eleitoral, trocando o voto distrital pelo voto proporcional, eles se tornariam, já nas primeiras eleições legislativas com o novo sistema, países multipartidários. O voto distrital é idêntico a uma camisa de força que limita os movimentos da representação.....
Para se obter a maioria dos deputados em uma Câmara eleita por meio do voto distrital, basta que um partido obtenha somente 25% dos votos nacionais. Isso porque é preciso ter 50% de votos em 50% dos distritos, o que resulta nos 25% dos votos nacionais mencionados. Resultado: a maioria governa graças a uma minoria de votos, e a maioria dos votos – 75% – fica de fora do governo. É impossível ser mais excludente. No sistema proporcional, um partido só poderá ter a maioria da Câmara dos Deputados se obtiver 50% dos votos nacionais. É evidente, portanto, que o sistema eleitoral proporcional é infinitamente mais justo do que o distrital. Imagine-se no Brasil, onde todos os eleitores acham que todos os políticos são ladrões, um governo majoritário estabelecido com apenas 25% dos votos. Os eleitores vão dizer: além de ladrões, foram eleitos com a minoria dos votos. Seria a mais completa falta de legitimidade. Surpreende-me o fato de haver defensores desse absurdo no Brasil.
Para entender por que o sistema distrital obriga quem o adota a ter somente dois partidos importantes, vale entender o que acontece na eleição dentro de cada distrito. Em um distrito britânico onde há três candidatos, um conservador, um trabalhista e um liberal-democrata, é comum que o candidato liberal-democrata fique na terceira posição em proporção de votos. Somando-se todos os liberais-democratas que ficaram em terceiro lugar nos mais de 600 distritos britânicos, pode-se obter, por exemplo, que esse partido teve um total nacional de 10% dos votos. Porém, como esses 10% de votos não foram para nenhum candidato que ficou em primeiro lugar, foram desperdiçados, jogados no lixo, esses 10% de votos não elegeram deputado algum. Somente os liberais-democratas que ficaram em primeiro foram eleitos, mas, somando-se a votação nacional de todos os primeiros colocados desse partido, tem-se somente 6%. É por isso que o partido fica com 16% dos votos nacionais e somente 7% das cadeiras do parlamento. Isso jamais ocorre no nosso sistema eleitoral, que é o proporcional.
Foi assim que em 1983 os liberais-democratas britânicos tiveram 25,4% dos votos, mas somente 3,5% das cadeiras, um completo absurdo, uma completa falta de proporcionalidade, uma total injustiça distributiva quando se considera a relação entre votos e cadeiras. Em 1987 foram 22,6% dos votos que resultaram somente em 3,4% de cadeiras; em 1992 ocorreu que 17,8% dos votos foram traduzidos em somente 3,1% de assentos no parlamento. Em 1997 a injustiça foi menor, mas permaneceu: 16,7% dos votos os levaram a obter 7% de cadeiras. Daí para a frente, a situação só fez piorar: em 2001, 18,3% dos votos resultaram em 7,9% de assentos parlamentares; em 2005, 22,1% dos votos conquistaram 9,6% das cadeiras, e em 2010 a situação foi ainda pior, quando 23% dos votos resultaram em somente 8,8% de cadeiras. Todos os lugares que adotam o voto distrital punem cruelmente o terceiro partido. Esqueça quarto partido, ele simplesmente não existe na prática.
A consequência prática imediata desse processo é que o eleitor médio percebe que o sistema pune o terceiro partido e assim ele passa a praticar o voto útil, escolhendo preferencialmente candidatos trabalhistas ou conservadores, que são os únicos partidos que realmente têm condições de obter a maioria parlamentar. Ou seja, além de todos os defeitos do voto distrital que venho mostrando nesta coluna, ele tem um defeito adicional perverso: estimula o voto útil. Esse fenômeno foi mostrado a primeira vez por Maurice Duverger nos anos 1950.
Se o Brasil adotar o voto distrital, sobreviverão apenas três partidos, que provavelmente serão o PT, o PMDB e o PSDB. Os demais serão liquidados, extintos, aniquilados. Se alguém tiver dúvidas quanto a essa afirmação, dê-se ao trabalho de ver a composição da Câmara dos Deputados dos países que adotam o voto distrital.
O sistema distrital pune o terceiro partido e premia o partido mais votado. É um sistema perverso, porque fabrica artificialmente a maioria. Não se trata de mágica, é um resultado real e concreto de um sistema que distorce a representação. Mais uma vez o melhor exemplo para demonstrar esse fenômeno é a Grã-Bretanha.
Em 1983, Margaret Thatcher foi eleita primeira-ministra pela segunda vez, com seu partido obtendo 42,4% dos votos. O impressionante é que o Partido Conservador conquistou nada menos do que 61% das cadeiras do Parlamento, praticamente 20% a mais do que sua votação. Em 1987 a desproporção também ficou muito próxima disso: com somente 42,3%, obteve-se 57,9% dos assentos. Em 2001 foi a vez dessa injustiça distributiva favorecer o Partido Trabalhista: foram 40,7% de votos que resultaram na conquista de 62,5% das cadeiras. Em 2005, foram 35,2% de votos para o partido de Tony Blair, e eles conquistaram 55,2% de cadeiras. Isso seria intolerável no Brasil.
O voto distrital elimina o multipartidarismo, aniquila todos os partidos menos três, pune o terceiro partido tornando-o um nanico sem poder de influência nas decisões governamentais, incentiva o voto útil, e por fim cria uma maioria artificial dando mais cadeiras do que votos para o partido mais votado. No voto distrital o vencedor leva tudo (“the winner takes all”).
A nossa Câmara dos Deputados tem 513 representantes e o partido mais votado, o PT, ficou com 80 cadeiras. No voto distrital o PT teria ficado provavelmente com 280 cadeiras, isto é, mais do que 50% dos assentos. Hoje o primeiro-secretário da Câmara é o deputado Eduardo Gomes, do PSDB do Tocantins, um parlamentar da oposição. Isso jamais ocorreria se o PT tivesse 280 cadeiras. Ao contrário, toda a mesa da Câmara seria composta por deputados petistas. No sistema distrital, a maioria simplesmente manda e ocupa todos os espaços. Em todos os países com voto distrital, a mesa da câmara é 100% controlada pelo partido que tem a maioria, e o mesmo acontece para todas as comissões legislativas. Funciona novamente aqui o princípio do vencedor leva tudo.
Margaret Thatcher extinguiu em 1986 o Greater London Council, que era a prefeitura da grande Londres, porque seu ocupante à época, Ken Livingstone, era um duro opositor. É impensável esse tipo de medida no Brasil. É impossível que Dilma, insatisfeita com a oposição que lhe fizessem o prefeito de São Paulo ou do Rio, simplesmente extinguisse uma dessas prefeituras. Aliás, como nosso sistema é predominantemente conciliatório, é muito difícil que prefeitos de cidades importantes façam oposição ao presidente.
Nós brasileiros temos preconceito contra nós mesmos. O sistema proporcional que adotamos resulta na existência de um grande partido de centro, o PMDB. O sistema distrital americano resulta na existência de somente dois partidos, Republicano e Democrata. Se formos pensar fora da caixinha, fora do tradicional, veremos que a relação custo-benefício do PMDB é bem mais favorável do que a simples existência de dois partidos como democratas e republicanos. No último mês vimos os prejuízos (de bilhões e bilhões de dólares) causados pelo sistema americano ao seu próprio país e ao mundo. Um sistema que, graças ao voto distrital, não incentiva o consenso, mas somente o conflito. O PMDB, ao contrário, confere total governabilidade ao Brasil.
Aliás, ainda no terreno da comparação, desde 1928 somente os presidentes peronistas cumprem integralmente o mandato na Argentina. Todos os radicais eleitos não tiverem esse destino. Isso aconteceu porque não existe um PMDB na Argentina. É possível que nós brasileiros tenhamos um excelente sistema eleitoral, embora não saibamos disso ou não reconheçamos esse fato. Em suma, não há motivos razoáveis para adotarmos o excludente voto distrital.
*Alberto Carlos Almeida é sociólogo e professor universitário
Para se obter a maioria dos deputados em uma Câmara eleita por meio do voto distrital, basta que um partido obtenha somente 25% dos votos nacionais. Isso porque é preciso ter 50% de votos em 50% dos distritos, o que resulta nos 25% dos votos nacionais mencionados. Resultado: a maioria governa graças a uma minoria de votos, e a maioria dos votos – 75% – fica de fora do governo. É impossível ser mais excludente. No sistema proporcional, um partido só poderá ter a maioria da Câmara dos Deputados se obtiver 50% dos votos nacionais. É evidente, portanto, que o sistema eleitoral proporcional é infinitamente mais justo do que o distrital. Imagine-se no Brasil, onde todos os eleitores acham que todos os políticos são ladrões, um governo majoritário estabelecido com apenas 25% dos votos. Os eleitores vão dizer: além de ladrões, foram eleitos com a minoria dos votos. Seria a mais completa falta de legitimidade. Surpreende-me o fato de haver defensores desse absurdo no Brasil.
Para entender por que o sistema distrital obriga quem o adota a ter somente dois partidos importantes, vale entender o que acontece na eleição dentro de cada distrito. Em um distrito britânico onde há três candidatos, um conservador, um trabalhista e um liberal-democrata, é comum que o candidato liberal-democrata fique na terceira posição em proporção de votos. Somando-se todos os liberais-democratas que ficaram em terceiro lugar nos mais de 600 distritos britânicos, pode-se obter, por exemplo, que esse partido teve um total nacional de 10% dos votos. Porém, como esses 10% de votos não foram para nenhum candidato que ficou em primeiro lugar, foram desperdiçados, jogados no lixo, esses 10% de votos não elegeram deputado algum. Somente os liberais-democratas que ficaram em primeiro foram eleitos, mas, somando-se a votação nacional de todos os primeiros colocados desse partido, tem-se somente 6%. É por isso que o partido fica com 16% dos votos nacionais e somente 7% das cadeiras do parlamento. Isso jamais ocorre no nosso sistema eleitoral, que é o proporcional.
Foi assim que em 1983 os liberais-democratas britânicos tiveram 25,4% dos votos, mas somente 3,5% das cadeiras, um completo absurdo, uma completa falta de proporcionalidade, uma total injustiça distributiva quando se considera a relação entre votos e cadeiras. Em 1987 foram 22,6% dos votos que resultaram somente em 3,4% de cadeiras; em 1992 ocorreu que 17,8% dos votos foram traduzidos em somente 3,1% de assentos no parlamento. Em 1997 a injustiça foi menor, mas permaneceu: 16,7% dos votos os levaram a obter 7% de cadeiras. Daí para a frente, a situação só fez piorar: em 2001, 18,3% dos votos resultaram em 7,9% de assentos parlamentares; em 2005, 22,1% dos votos conquistaram 9,6% das cadeiras, e em 2010 a situação foi ainda pior, quando 23% dos votos resultaram em somente 8,8% de cadeiras. Todos os lugares que adotam o voto distrital punem cruelmente o terceiro partido. Esqueça quarto partido, ele simplesmente não existe na prática.
A consequência prática imediata desse processo é que o eleitor médio percebe que o sistema pune o terceiro partido e assim ele passa a praticar o voto útil, escolhendo preferencialmente candidatos trabalhistas ou conservadores, que são os únicos partidos que realmente têm condições de obter a maioria parlamentar. Ou seja, além de todos os defeitos do voto distrital que venho mostrando nesta coluna, ele tem um defeito adicional perverso: estimula o voto útil. Esse fenômeno foi mostrado a primeira vez por Maurice Duverger nos anos 1950.
Se o Brasil adotar o voto distrital, sobreviverão apenas três partidos, que provavelmente serão o PT, o PMDB e o PSDB. Os demais serão liquidados, extintos, aniquilados. Se alguém tiver dúvidas quanto a essa afirmação, dê-se ao trabalho de ver a composição da Câmara dos Deputados dos países que adotam o voto distrital.
O sistema distrital pune o terceiro partido e premia o partido mais votado. É um sistema perverso, porque fabrica artificialmente a maioria. Não se trata de mágica, é um resultado real e concreto de um sistema que distorce a representação. Mais uma vez o melhor exemplo para demonstrar esse fenômeno é a Grã-Bretanha.
Em 1983, Margaret Thatcher foi eleita primeira-ministra pela segunda vez, com seu partido obtendo 42,4% dos votos. O impressionante é que o Partido Conservador conquistou nada menos do que 61% das cadeiras do Parlamento, praticamente 20% a mais do que sua votação. Em 1987 a desproporção também ficou muito próxima disso: com somente 42,3%, obteve-se 57,9% dos assentos. Em 2001 foi a vez dessa injustiça distributiva favorecer o Partido Trabalhista: foram 40,7% de votos que resultaram na conquista de 62,5% das cadeiras. Em 2005, foram 35,2% de votos para o partido de Tony Blair, e eles conquistaram 55,2% de cadeiras. Isso seria intolerável no Brasil.
O voto distrital elimina o multipartidarismo, aniquila todos os partidos menos três, pune o terceiro partido tornando-o um nanico sem poder de influência nas decisões governamentais, incentiva o voto útil, e por fim cria uma maioria artificial dando mais cadeiras do que votos para o partido mais votado. No voto distrital o vencedor leva tudo (“the winner takes all”).
A nossa Câmara dos Deputados tem 513 representantes e o partido mais votado, o PT, ficou com 80 cadeiras. No voto distrital o PT teria ficado provavelmente com 280 cadeiras, isto é, mais do que 50% dos assentos. Hoje o primeiro-secretário da Câmara é o deputado Eduardo Gomes, do PSDB do Tocantins, um parlamentar da oposição. Isso jamais ocorreria se o PT tivesse 280 cadeiras. Ao contrário, toda a mesa da Câmara seria composta por deputados petistas. No sistema distrital, a maioria simplesmente manda e ocupa todos os espaços. Em todos os países com voto distrital, a mesa da câmara é 100% controlada pelo partido que tem a maioria, e o mesmo acontece para todas as comissões legislativas. Funciona novamente aqui o princípio do vencedor leva tudo.
Margaret Thatcher extinguiu em 1986 o Greater London Council, que era a prefeitura da grande Londres, porque seu ocupante à época, Ken Livingstone, era um duro opositor. É impensável esse tipo de medida no Brasil. É impossível que Dilma, insatisfeita com a oposição que lhe fizessem o prefeito de São Paulo ou do Rio, simplesmente extinguisse uma dessas prefeituras. Aliás, como nosso sistema é predominantemente conciliatório, é muito difícil que prefeitos de cidades importantes façam oposição ao presidente.
Nós brasileiros temos preconceito contra nós mesmos. O sistema proporcional que adotamos resulta na existência de um grande partido de centro, o PMDB. O sistema distrital americano resulta na existência de somente dois partidos, Republicano e Democrata. Se formos pensar fora da caixinha, fora do tradicional, veremos que a relação custo-benefício do PMDB é bem mais favorável do que a simples existência de dois partidos como democratas e republicanos. No último mês vimos os prejuízos (de bilhões e bilhões de dólares) causados pelo sistema americano ao seu próprio país e ao mundo. Um sistema que, graças ao voto distrital, não incentiva o consenso, mas somente o conflito. O PMDB, ao contrário, confere total governabilidade ao Brasil.
Aliás, ainda no terreno da comparação, desde 1928 somente os presidentes peronistas cumprem integralmente o mandato na Argentina. Todos os radicais eleitos não tiverem esse destino. Isso aconteceu porque não existe um PMDB na Argentina. É possível que nós brasileiros tenhamos um excelente sistema eleitoral, embora não saibamos disso ou não reconheçamos esse fato. Em suma, não há motivos razoáveis para adotarmos o excludente voto distrital.
*Alberto Carlos Almeida é sociólogo e professor universitário
Prefeito de Montes Claros tenta calar o Grito dos excluídos
Publicado originalmente em: http://www.emcimadanoticia.com/

Tadeu Leite manda soldados da PM reprimir manifestantes – Fotos Júlia Veloso e Tatá
O ainda prefeito de Montes Claros Tadeu Leite com o apoio da Polícia Militar, tentou proibi os manifestantes do Grito dos Excluídos de protestarem contra os desmandos da sua administração. Com o apoio a tropa de choque da PM, que é ágil para retaliar os movimentos sociais, mas incompetente para coibir a violência na cidade, onde a criminalidade aumentou assustadoramente nos últimos três anos, os policiais montaram um cerco para barrarem os manifestantes de participarem do desfile de 7 de Setembro.
Nos últimos 18 anos, foi a primeira vez que os manifestantes do Grito dos Excluídos, mesmo de forma pacífica, foram proibidos de defenderem suas bandeiras e protestarem contra as injustiças e a corrupção que assola o país, e principalmente a cidade.
Com a participação das pastorais, movimentos sociais, professores em greve, estudantes, os manifestantes concentraram na Praça da Catedral para celebração ecumênica, quando refletiram a Palavra de Deus com base na fé e na vida, dançaram ao ritmo de músicas cristãs populares e mostraram e valorizaram a cultura do município e região. Além disso, diversas faixas, que traziam as reivindicações sociais da cidade, forraram como um tapete a Praça da Catedral. Havia gritos contra a homofobia, a corrupção eleitoral, o descaso com a aplicação dos direitos e deveres das crianças e dos adolescentes, denúncias de desvios de recursos públicos, contratações irregulares de funcionários, etc.
O arcebispo metropolitano de Montes Claros, dom José Alberto Moura, durante o seu comentário na celebração ecumênica e interreligiosa, atentou os presentes para que a Igreja seja discípula missionária de Jesus Cristo a serviço da vida e da dignidade para todos. “Nós precisamos de mais segurança, moradia, mais dignidade na convivência humana”, afirmou o arcebispo dom José Alberto. “Então é a pobreza do ser”, no seu sentido espiritual de humildade, “com a riqueza de Deus que nós vamos promover a dignidade para todos”, declarou. O arcebispo metropolitano motivou os fiéis cristãos e demais cidadãos a seguir o exemplo de Jesus Cristo e aconselhou transparência e mais convicção na “vida das organizações” para que “elas não se corrompam” tão facilmente, como acontece hoje.
Depois da partilha dos alimentos do ofertório ecumênico, por volta das 9h, o Grito dos Excluídos em MOC saiu da Praça da Catedral. Centenas de pessoas das paróquias e demais movimentos e pastorais sociais caminharam entoando cantos populares pela Rua Dom Pedro II, no centro da cidade, afunilaram-se pela Travessa Cônego Marcos, viraram à direita na Avenida Coronel Prates (a do Colégio Berlaar Imaculada Conceição e do Hipermercado Bretas), deslocaram-se à esquerda pela Rua Reginaldo Ribeiro, novamente à esquerda, na Rua Gabriel Passos (a do Dubai Apart Hotel). Foi aí que o Grito passou momentos de tensão. Como em 2009, a Tropa de Choque da Polícia Militar de Minas Gerais impediu que os manifestantes entrassem na Avenida Deputado Esteves Rodrigues (Sanitária), onde acontecia o Desfile Comemorativo dos 189 Anos da Independência do Brasil.
Com a participação das pastorais, movimentos sociais, professores em greve, estudantes, os manifestantes concentraram na Praça da Catedral para celebração ecumênica, quando refletiram a Palavra de Deus com base na fé e na vida, dançaram ao ritmo de músicas cristãs populares e mostraram e valorizaram a cultura do município e região. Além disso, diversas faixas, que traziam as reivindicações sociais da cidade, forraram como um tapete a Praça da Catedral. Havia gritos contra a homofobia, a corrupção eleitoral, o descaso com a aplicação dos direitos e deveres das crianças e dos adolescentes, denúncias de desvios de recursos públicos, contratações irregulares de funcionários, etc.
O arcebispo metropolitano de Montes Claros, dom José Alberto Moura, durante o seu comentário na celebração ecumênica e interreligiosa, atentou os presentes para que a Igreja seja discípula missionária de Jesus Cristo a serviço da vida e da dignidade para todos. “Nós precisamos de mais segurança, moradia, mais dignidade na convivência humana”, afirmou o arcebispo dom José Alberto. “Então é a pobreza do ser”, no seu sentido espiritual de humildade, “com a riqueza de Deus que nós vamos promover a dignidade para todos”, declarou. O arcebispo metropolitano motivou os fiéis cristãos e demais cidadãos a seguir o exemplo de Jesus Cristo e aconselhou transparência e mais convicção na “vida das organizações” para que “elas não se corrompam” tão facilmente, como acontece hoje.
Depois da partilha dos alimentos do ofertório ecumênico, por volta das 9h, o Grito dos Excluídos em MOC saiu da Praça da Catedral. Centenas de pessoas das paróquias e demais movimentos e pastorais sociais caminharam entoando cantos populares pela Rua Dom Pedro II, no centro da cidade, afunilaram-se pela Travessa Cônego Marcos, viraram à direita na Avenida Coronel Prates (a do Colégio Berlaar Imaculada Conceição e do Hipermercado Bretas), deslocaram-se à esquerda pela Rua Reginaldo Ribeiro, novamente à esquerda, na Rua Gabriel Passos (a do Dubai Apart Hotel). Foi aí que o Grito passou momentos de tensão. Como em 2009, a Tropa de Choque da Polícia Militar de Minas Gerais impediu que os manifestantes entrassem na Avenida Deputado Esteves Rodrigues (Sanitária), onde acontecia o Desfile Comemorativo dos 189 Anos da Independência do Brasil.
Drible
Os manifestantes então resolveram retornar pela Rua Gabriel Passos e descer o resto da Rua Reginaldo Ribeiro. Como em 2010, entraram na Avenida Sanitária e chamaram bastante atenção dos cidadãos montesclarenses que estavam no Desfile da Independência, além da mídia local e, claro, dos policiais militares, que, surpresos, deslocaram-se da Gabriel Passos para a Avenida Sanitária. A intenção do Grito dos Excluídos deste ano em Montes Claros era encerrar esta celebração por vida digna para todos na entrada da Prefeitura Municipal de Montes Claros, com aconteceu no ano passado. No entanto, com muito esforço mesmo, a Tropa de Choque da Polícia Militar de Minas Gerais isolou toda a Avenida Sanitária e a Prefeitura, o que impediu que os manifestantes terminassem o ato com “um grande peneirei fubá” pela garantia dos direitos sociais básicos garantidos pelo presidente Getúlio Vargas desde a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e, recentemente, pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, sem as atuais emendas, colcha de retalhos ou brechas na legislação. Apesar da aplicação de um regime considerado ditatorial, Vargas foi o único presidente que tinha um projeto realmente de nação para o Brasil.
Com o impedimento da Tropa de Choque da Polícia Militar de Minas Gerais, a solução encontrada pelos manifestantes do Grito foi seguir em protesto, debaixo de sol quente e clima seco, por toda a Avenida Sanitária, passar pela Prefeitura e pela Câmara Municipal, e concluir o ato no estacionamento da Prefeitura, onde, desde segunda-feira (05/09), Via Campesina, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), dentre outros, estavam acampados para assembleias populares e audiências públicas que discutiram o impacto da construção de barragens e da mineração na vida das pessoas da região. Esses movimentos também participaram do 17º Grito dos Excluídos.
No estacionamento da Prefeitura, com barracas de lona preta armadas na área central, novamente o chão acolheu um verdadeiro tapete das faixas de protesto e os manifestantes rezaram a Oração Universal do Pai Nosso. O arcebispo metropolitano de Montes Claros, dom José Alberto Moura, participou de toda a caminhada deste Grito. Agora com uma providencial sombrinha na mão para se proteger do sol, dom José Alberto ressaltou que são os governantes que devem trabalhar para o povo. São eles o empregado do povo, e não o contrário, salientou.
Os manifestantes então resolveram retornar pela Rua Gabriel Passos e descer o resto da Rua Reginaldo Ribeiro. Como em 2010, entraram na Avenida Sanitária e chamaram bastante atenção dos cidadãos montesclarenses que estavam no Desfile da Independência, além da mídia local e, claro, dos policiais militares, que, surpresos, deslocaram-se da Gabriel Passos para a Avenida Sanitária. A intenção do Grito dos Excluídos deste ano em Montes Claros era encerrar esta celebração por vida digna para todos na entrada da Prefeitura Municipal de Montes Claros, com aconteceu no ano passado. No entanto, com muito esforço mesmo, a Tropa de Choque da Polícia Militar de Minas Gerais isolou toda a Avenida Sanitária e a Prefeitura, o que impediu que os manifestantes terminassem o ato com “um grande peneirei fubá” pela garantia dos direitos sociais básicos garantidos pelo presidente Getúlio Vargas desde a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e, recentemente, pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, sem as atuais emendas, colcha de retalhos ou brechas na legislação. Apesar da aplicação de um regime considerado ditatorial, Vargas foi o único presidente que tinha um projeto realmente de nação para o Brasil.
Com o impedimento da Tropa de Choque da Polícia Militar de Minas Gerais, a solução encontrada pelos manifestantes do Grito foi seguir em protesto, debaixo de sol quente e clima seco, por toda a Avenida Sanitária, passar pela Prefeitura e pela Câmara Municipal, e concluir o ato no estacionamento da Prefeitura, onde, desde segunda-feira (05/09), Via Campesina, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), dentre outros, estavam acampados para assembleias populares e audiências públicas que discutiram o impacto da construção de barragens e da mineração na vida das pessoas da região. Esses movimentos também participaram do 17º Grito dos Excluídos.
No estacionamento da Prefeitura, com barracas de lona preta armadas na área central, novamente o chão acolheu um verdadeiro tapete das faixas de protesto e os manifestantes rezaram a Oração Universal do Pai Nosso. O arcebispo metropolitano de Montes Claros, dom José Alberto Moura, participou de toda a caminhada deste Grito. Agora com uma providencial sombrinha na mão para se proteger do sol, dom José Alberto ressaltou que são os governantes que devem trabalhar para o povo. São eles o empregado do povo, e não o contrário, salientou.
Com informação do Blog Peneirei Fubá
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